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As lendas são parte integrante do património oral de uma determinada terra. Assim, recordamos uma das lendas mais conhecidas da Freguesia de Vila Chã de Braciosa.

 

Lenda Moura
Conta-se que, num certo dia, durante o mês de Janeiro, na ribeira de Vila Chã de Braciosa passava por ali um jovem cabreiro que cuidava das suas cabras, quando ouvia uma voz que dizia:

-Antonho, pega uma rosa.
- Olha! Rosas em Janeiro! – Respondeu ele.

Olhando e aproximando-se viu que a voz era de uma menina que trazia na mão uma rosa. O cabreiro ficou surpreendido com a oferta que a menina lhe fez e aceitou a flor de bom grado. A menina recomendou-lhe, no entanto, que não a mostrasse a ninguém. Quando Antonho chegou a casa, colocou a rosa no fundo de uma arca velha, entre a roupa. No dia seguinte, a sua mãe, querendo remover a arca, encontrou a bela flor e ficou sem palavras. Resolveu, então, mostrar às vizinhas o que o filho tinha guardado. Ao verem a rosa, esta transformou-se, logo em carvão e Antonho nunca mais viu a menina, que se pensava que seria uma Moura.

A Língua Mirandesa
A população de Vila Chã de Braciosa utiliza ainda hoje o Mirandês para falar de si, para contar histórias, para cantar e dançar à volta da fogueira das festas pré-cristãs, nas reuniões familiares e de vizinhos, nas tardes e noites de Outono; para conversar sobre os trabalhos agrícolas, para rezar e jogar, nos serões de Inverno, à lareira, na cozinha, verdadeira sala de cultura, no nascimento até à morte.
Também nos velhos costumes comunitários, que vêm dos tempos pré-romanos, como a partilha de lagares, eiras e vales, o Mirandês foi sempre utilizado.

Esta língua teve origem num dos romances peninsulares formados a partir do latim vulgar, nomeadamente do asturo-leonês, pelo que pertence ao grupo de línguas românicas.

A sua formação fez parte de um longo processo, contemporâneo da formação do galego-português. Sofreu grande influência do português, sobretudo a partir do século XVl, tendo chegado a ser inteiramente substituída  por este na Cidade de Miranda. Contudo, foi conservada nas aldeias envolventes, durante séculos como língua de transmissão oral.
Foi descrito, pela primeira vez, por José Leite de Vasconcelos, em finais do século XlX, na obra o dialecto Mirandês (1882), com que se estreou em filologia e nos dois volumes dos Estudos da  Filologia Mirandesa, (1900-1901). Após a sua descoberta pelo filólogo, a língua Mirandesa despertou um interesse crescente ao longo do século XX.
O processo de reconhecimento do Mirandês, como língua foi iniciada em 1995, com a publicação de uma Proposta de Convenção Ortográfica Mirandesa, e consolidado em 1999, com a edição da Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa. O Mirandês foi reconhecido como língua oficial pela Lei 7/99, de 29 de Janeiro do mesmo ano.

Actualmente, a realidade demonstra que essa língua ainda mantém vitalidade, pois é falada por cerca de 15 mil pessoas nas aldeias do Concelho de Miranda do Douro (Exceptuando-se a freguesia de Atenor e a Cidade de Miranda do Douro) e em duas freguesias do concelho de Vimioso (Vilar Seco e Angueira), estendendo-se a sua influência a outras aldeias dos concelhos de Mogadouro e Bragança.

Continua a ser, como José Leite de Vasconcelos verificava nos fins do século passado, “a língua do campo, do trabalho, do lar e do amor entre os mirandeses”.

Por ser uma língua mais oral do que escrita, apresenta uma literatura rica em romances de tradição oral, representações teatrais, contos, fábulas, quadras, adivinhas, provérbios, anedotas, diálogos e canções tradicionais. Eis alguns exemplos retirados dessa literatura:

Provérbios

A quien pineira i amassa
Nun le fura la fogaça.

 
Las forfalhicas de l cerron
P ala tarde buônas son.
Mais bale um paixarico na mano
Que dous a bolar.
Pan i bino,
Anda camino.

Cesteiro que fai un cesto
Fai un ciênto,
Dando-te berga i tiêmpo.
Quien a las onze num benir
Comerá de l que trair.

 
Na terça, nin tou cochino mates, nin tue filha cases, nin tu tela urdas.

Quien sembr´ abrolhos cuôlhe spinos,
Quien buôna semiêntre sembra bun trigo cuôlhe.

 
Malo haia quien mal de mi diç.

Nun te fies na perro que nun lhadra,
Nin na home que nun fala.

 
Antre primos i armanos
Nun metas las manos.
Filho sós,
Pai serás, Cumo fazires,
Assi acharás.
 

Adivinhas

Conheço ua sinhora
Mui assinhorada
Nunca sal a la rue
I siempre stá molhada.

 
Que será, que será?
Lhargo cum´ un sobeio,
Tem clientes cum´ un coneilho.
Lhargo cum´un camino,
Funga cum´un cochino.
Que ye, que ye
Que passa na ribeira
I tengo bastante fuôrça.
Que cousa ye?
Ua casa cun doze damas
Cada dama tem quatro quartos
Todas eilhas ténen meias
I ningua tem çapatos.
 


Cantigas

Mira-me Miguel


Mira-me, Miguel,
Cumo stou de bonitica!
Saia de burel,
Camisica de stopica!...
Eilha:
Tengo três meninos
Nu tengo que le dar
Pougo-m´a cantar
A ansiná-los a beijar.
Mira-me, Miguel!,El:
Tengo três oubeilhas,
Mais ua cordeira,
Quiero-me casar
I nun acho quien me queira!
Mira-me, Miguel!,

Tengo Giriboilas

Tengo giriboilas
Guisadas cun patatas.
Tengo giriboilas
Guisadas cun patatas.
Bamos a comê-las
Que son buônas
I baratas.
Tengo giriboilas
Quisadas cun feijones
Bamos a come-los
Que son buônos i capones.
Bamos a come-los
Que son buônos i capones.
 

Xaramago berde


Berde xaramago
Colga la perdiç
I agarra-la pul rabo.
Colga la perdiç
I agarra-la pul rabo.
 

 

As tradições de Vila Chã de Braciosa passam também pela realização de festas anuais. No dia 1 de Janeiro celebra-se a Festa do Menino Jesus, mais conhecida por Festa da Velha, à qual o etnólogo António Mourinho fez referência no seu Cancioneiro Tradicional, e que se enquadra nos ritos de passagem das festas solsticiais de Inverno. Uma das festas mais singulares é a  Festa da Santíssima Trindade em Fonte de Aldeia, que tem lugar no domingo anterior à quinta-feira Santa dos meses de Maio ou Junho, consoante o calendário litúrgico. É nesta altura que se fazem as rondas da romaria da Santíssima Trindade à volta da capela. Num passado ainda recente, esta romaria era pretexto para ajuste de contas entre as Mocidades (grupos constituídos por rapazes solteiros, maiores de 14 anos) das aldeias vizinhas, que, depois de assistirem às cerimónias religiosas, armavam contendas de tal ordem, que vinham a cavalo desde Bragança.

Trages da festa da Velha Dança da Velha

Nos dias de hoje, as disputas já não existem (a última deu-se na década de 40 entre as Mocidades de Prado Gatão e Palaçoulo). Mas a singularidade da festa da Santíssima Trindade assenta na tradição das Mocidades das aldeias vizinhas, depois de celebrada a Santa Missa, se agruparem (cada aldeia forma um numeroso grupo), e munidos de grandes ramos de árvores, bandeiras representativas das Mocidades ou de Associações Culturais, dão voltas em torno da capela, gritando vivas à Mocidade, em franca alegria e camaradagem. Mais tarde a procissão desce para a povoação, onde decorre o arraial popular.

Todos os anos, no dia 8 de Maio, festeja-se a Festa dos Sartigalhos (nome mirandês para gafanhotos). Reza a lenda que, no passado, teria havido na freguesia uma praga de Sartigalhos tão grande que devastou todas as culturas. Os habitantes, aterrorizados e desesperados, pediram intervenção divina e deitaram sortes aos Santos “residentes” na Igreja. Àquela a quem coube a sorte, Imaculada Conceição neste caso, implorou-se para que extinguisse a praga. As preces foram ouvidas e, para comemorar, no dia 8 de Maio celebra-se  uma festa com oito mordomos. Antigamente era celebrada uma missa, na qual participavam oito sacerdotes, realizando-se também uma procissão em volta da aldeia, no entanto, actualmente, devido à escassez de párocos, a missa é celebrada apenas pelo pároco da aldeia.

Por último, a Festa de Santa Bárbara realiza-se em Agosto. Uma das orações mais populares a esta Santa é aquela que se passa a transcrever:

Santa Bárbara.

Santa Bárbola se bestiu i se calçou
Al camino se botou
Santo Antonho ancontrou
-Adonde bás, Bártola?
-Vou arramar esta troboada
Qu’anda pul mundo spalhada,
Onde nun haba beira nien lheira
Nien ramico d’ oubilheira
Nien pan, nien Bino
Nien casa cul sou bezino
Nien bezerricos a mamar,
Esta tormiênta you hei-de ampuntar

Outras tradições da freguesia são a fogueira comunitária, a matança do porco, os serões de Inverno, os Cantares dos Reis e a Iniciação da Mocidade. Esta tradição consiste na constituição de um “Tribunal de Justiça” composto por um Juiz, um Substituto, dois Escabeceadores e dois Casamenteiros, todos eles eleitos pela Mocidade. Compete a este tribunal zelar pelo bom entendimento da Mocidade, mas sobretudo pelo Paga Vinho (vinho e tremoços para a comunidade presente) de todo o rapaz que se case com uma rapariga da aldeia.

Todos os anos, aquando da entrada de novos rapazes para a Mocidade e com o dinheiro da quantia, fazem uma festa a que chamam “Machorra”, que marca o início da mocidade e durante a qual comem uma “Machorra” (ovelha que nunca pariu).

À semelhança de todas as outras aldeias do Planalto Mirandês, a freguesia de Vila Chã de Braciosa e lugar de Fonte de Aldeia tiveram, desde tempos imemoriais, um grupo de pauliteiros. A dança dos pauliteiros teve origem na dança Indo-Europeia das Espadas. É de salientar que o primeiro registo escrito, sobre este tipo de dança, alude precisamente a Vila Chã de Braciosa, cuja população dançava especialmente na festa de Santa Bárbara, percorrendo as ruas da povoação e pedindo esmola para a referida festa.
Em finais da década de 50, esta tradição extinguiu-se tendo sido recuperada em 1998, através da ACREFA que reorganizou o grupo agora existente.

Trajes Característicos:

Traje Feminino
No seu dia-a-dia, a mulher mirandesa enverga um vestuário simples. Para os trabalhos rurais traz polainas de burel; a saia é feita de tecido de lã preta (enxerga), com pregas dispostas uniformemente que ao andar dão a impressão de um leque em contínuo abrir e fechar. Usa avental do mesmo tecido, o colete é, em geral, de cutim (tecido de linho ou algodão), escuro, deixando ver, por entre o cordão que o aperta em forma de zigue-zague, uma facha ou cinta escarlate que lhe cinge o tronco. Se a mulher for viúva, a faixa será rocha ou preta. A camisa é feita de linho com peitilho e colarinho exactamente como as dos homens; excepto no facto de a camisa do homem ter pregas e punhos, e a dela ter manga lisa.

Nas orelhas usa arrecadas a que chamam “africanas” e na cabeça coloca um lenço espanhol de algodão branco com grandes ramos escuros ou ramagens amarelas, o qual mede mais de um metro quadrado. Dobra-o diagonalmente, e cinge-o, seguro com um nó (laçada), com as duas pontas para um lado. Os lenços das viúvas são escuros, com ramos pouco perceptíveis.
Para ir à missa coloca na cabeça uma mantilha curta, de pano preto, que não lhe chega à cintura.

Traje Masculino
O homem veste um fato de pardo (as calças têm 4 a 6 centímetros de abertura em baixo, na costura lateral) e calça sapatos sem graxa. Os mais velhos vestem calção com alçapão em vez de cercela e usam polaina de burel. O colete e a jaqueta são curtos e do mesmo tecido da Saragoça. São raras as vezes que utilizam chapéu. Mesmo com o capote, usam durante o Inverno um gorro (barrete) de forma cónica, que está sempre dobrado de forma engenhosa e que atrás tem amostras em forma de pala. À frente é verde, roxo ou azul, consoante as freguesias.

A típica capa de honra, feita de burel, ricamente bordada, com capuz e uma espécie de pala nas costas, é claramente inspirada na litúrgica capa gótica, e é envergada por homens importantes. Tem bordada a data e que foi feita e o nome da pessoa que a veste.

 

 
 
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